gira girassol
gira mundo
carrossel
gira gira tudo
todo mundo tudo mel
gira girassol
gira mundo
carrossel
gira gira fundo
fim do mundo tudo céu
Aqui a realidade é a ficção: contos, crônicas, críticas, prosa poética, divagações, ensaios e o que vier...
quinta-feira, 22 de março de 2012
Jogo I (palavras)
apenas palavras
palavras apenas
escravas das penas
pequenas pequenas
apenas palavras
palavras apenas
das penas escravas
serenas serenas
apenas palavras
palavras apenas
escravas da penas
que pena! que pena!
palavras apenas
escravas das penas
pequenas pequenas
apenas palavras
palavras apenas
das penas escravas
serenas serenas
apenas palavras
palavras apenas
escravas da penas
que pena! que pena!
Brega também é gente (ou quase)
eu quero ser seu sabonete
ser seu cotonete
seu fio dental mentolado
seu lenço de papel
quero ser a palmilha do seu conga suadinho
seu modess seu o.b.
quero ser seu papel higiênico
seu band-aid
sua pomada beladona
seu polvilho granado
quero ser qualquer coisa
só pra ficar grudado em você
ser seu cotonete
seu fio dental mentolado
seu lenço de papel
quero ser a palmilha do seu conga suadinho
seu modess seu o.b.
quero ser seu papel higiênico
seu band-aid
sua pomada beladona
seu polvilho granado
quero ser qualquer coisa
só pra ficar grudado em você
Ecos do abismo
ontem eu estava sozinho em meu quarto
(mais uma vez)
sentado calado olhando pro nada
a solidão escorria pelas paredes frias
e gotejava surdamente
tédio tédio tédio
meu coração mal pulsava
dentro da segunda gaveta da escrivaninha
uns livros velhos uns pensamentos velhos
velhos sentimentos remoídos
meu corpo tem trinta anos
a alma trezentos três mil
tanto assim que trago meu dinossauro preso a uma corrente
e meus mortos em cima do guarda-roupa
de tanto não fazer nada
meu corpo apodreceu
só restou minha cabeça
pairando sobre o abismo
repetindo minha sabedoria de folhetim
(mais uma vez)
sentado calado olhando pro nada
a solidão escorria pelas paredes frias
e gotejava surdamente
tédio tédio tédio
meu coração mal pulsava
dentro da segunda gaveta da escrivaninha
uns livros velhos uns pensamentos velhos
velhos sentimentos remoídos
meu corpo tem trinta anos
a alma trezentos três mil
tanto assim que trago meu dinossauro preso a uma corrente
e meus mortos em cima do guarda-roupa
de tanto não fazer nada
meu corpo apodreceu
só restou minha cabeça
pairando sobre o abismo
repetindo minha sabedoria de folhetim
terça-feira, 20 de março de 2012
Agnus dei
é carne é sangue
e corre e gira e cai
descendo e descendo
já lá se vai uma asa
despenca despencadamente
o abismo é fundo
é o mundo ó Pai!
e vai e cai e vai e cai
se esvai em lágrimas
e range os dentes
serpentes!
e a outra asa já lá se vai
e corre e gira e cai
descendo descendentemente
é gente!
e o anjo condenado vai
e cai e vai e sai e ai!
que isso é sofrimento ó Pai!
e o mundo é fundo
e o fundo é imundo
e a gente é serpente
é carne é sangue é terra
é ai!
e corre e gira e cai
descendo e descendo
já lá se vai uma asa
despenca despencadamente
o abismo é fundo
é o mundo ó Pai!
e vai e cai e vai e cai
se esvai em lágrimas
e range os dentes
serpentes!
e a outra asa já lá se vai
e corre e gira e cai
descendo descendentemente
é gente!
e o anjo condenado vai
e cai e vai e sai e ai!
que isso é sofrimento ó Pai!
e o mundo é fundo
e o fundo é imundo
e a gente é serpente
é carne é sangue é terra
é ai!
Almoço na casa do crepúsculo
andei até o horizonte
cavalgando lufadas de vento
não tenho tempo
almocei com deus
jantei com o diabo
matei minha sede
com a água da esperança
mas na fonte havia vidro moído
comi verdades
bebi mentiras
cheirei vaidades
fumei ilusões
e o pão que o diabo amassou
eu ajudei a temperar
nada de novo sob o sol
jantei com deus
almocei com o diabo
e o café da manhã
eram pedaços de vida
não tenho tempo
não tenho espaço
nem sofrimento
nem cansaço
a festa acabou
e até os sapos que engoli
foram dormir
... lá se vai o sol
é noite de lua nova
cavalgando lufadas de vento
não tenho tempo
almocei com deus
jantei com o diabo
matei minha sede
com a água da esperança
mas na fonte havia vidro moído
comi verdades
bebi mentiras
cheirei vaidades
fumei ilusões
e o pão que o diabo amassou
eu ajudei a temperar
nada de novo sob o sol
jantei com deus
almocei com o diabo
e o café da manhã
eram pedaços de vida
não tenho tempo
não tenho espaço
nem sofrimento
nem cansaço
a festa acabou
e até os sapos que engoli
foram dormir
... lá se vai o sol
é noite de lua nova
Naturofagia
dá-me de beber
por Deus
dá-me de comer
tuas fartas carnes
teu leite quente
dá-me de viver
natureza
toda tua indecente
beleza
por Deus
dá-me de comer
tuas fartas carnes
teu leite quente
dá-me de viver
natureza
toda tua indecente
beleza
O ilusionista
não sou nada
não tenho nada
não existo
mas finjo e sonho
minto muito
e tento
tento tanto
que acredito
não tenho nada
não existo
mas finjo e sonho
minto muito
e tento
tento tanto
que acredito
segunda-feira, 19 de março de 2012
"Ruminiscências"
os temas recorrentes da vida
aquelas mesmas dúvidas encardidas
fantasmas com correntes
ratos no porão
pombos no sótão
fazendo ninhos
reviro o baú que estava embaixo da cama
sopro a poeira dos pergaminhos
passo a limpo os sentimentos embolorados
rasgo sonhos
amasso angústias
aliso papéis em branco, amarelados
empilho em um canto velhos pensamentos
rascunho novos dramas a lápis
nos rebordos puídos da alma
componho poemas épicos
nos cacos do meu coração estilhaçado
vejo o pôr-do-sol
através das frestas na parede do meu ser
apago a luz do meu quarto crescente
e desço escadas rumo ao poente
aquelas mesmas dúvidas encardidas
fantasmas com correntes
ratos no porão
pombos no sótão
fazendo ninhos
reviro o baú que estava embaixo da cama
sopro a poeira dos pergaminhos
passo a limpo os sentimentos embolorados
rasgo sonhos
amasso angústias
aliso papéis em branco, amarelados
empilho em um canto velhos pensamentos
rascunho novos dramas a lápis
nos rebordos puídos da alma
componho poemas épicos
nos cacos do meu coração estilhaçado
vejo o pôr-do-sol
através das frestas na parede do meu ser
apago a luz do meu quarto crescente
e desço escadas rumo ao poente
Paisagens oníricas
desenrolando e descendo
por espirais ígneas
trespassando arbóreos corpos
com setas insignificantes
transpirando medo e fumaça plúmbea
oh, cataclismo,
cataplasma meu ser
ceroso cercado de esterco!
oh! que será de meus ohs?
adeus à desumana deusa
dedos dactiloscópicos debruçam-se sobre a sacada
santa semana da Pátria!
se fosse sério não seria certo
mas
voltando ao assunto
sinto
não é tanto a mim que me junto
quanta coisa já perdi pensando
passar as férias em Paquetá
por ela eu poria a mão no fogo...
mentira!
tudo isso é um jogo
então, morda a carne que lhe servem
ainda suja de sangue
"Será que o rei aqueu pintava aquarela?"
por espirais ígneas
trespassando arbóreos corpos
com setas insignificantes
transpirando medo e fumaça plúmbea
oh, cataclismo,
cataplasma meu ser
ceroso cercado de esterco!
oh! que será de meus ohs?
adeus à desumana deusa
dedos dactiloscópicos debruçam-se sobre a sacada
santa semana da Pátria!
se fosse sério não seria certo
mas
voltando ao assunto
sinto
não é tanto a mim que me junto
quanta coisa já perdi pensando
passar as férias em Paquetá
por ela eu poria a mão no fogo...
mentira!
tudo isso é um jogo
então, morda a carne que lhe servem
ainda suja de sangue
"Será que o rei aqueu pintava aquarela?"
Crescer
velhas recordações
de passados distantes
baús cheios de poeira e
de sentimentos antigos
cadernos engavetados
passado passado a limpo
versos reestruturados e
ressentimentos sentidos
o tempo que faz meia-volta
a memória que tem recaída
diário de adolescente
essa criança gente grande
com tanta coisa em mente
de passados distantes
baús cheios de poeira e
de sentimentos antigos
cadernos engavetados
passado passado a limpo
versos reestruturados e
ressentimentos sentidos
o tempo que faz meia-volta
a memória que tem recaída
diário de adolescente
essa criança gente grande
com tanta coisa em mente
Jovem poesia
As poesias que vou publicar hoje e nos próximos dias foram escritas entre os dezessete e os vinte anos, mais ou menos. São bem fraquinhas, mas eu não entendia tanto de Português quanto entendo agora. Depois que passei a entender, parei de escrever. Será sintomático?
Eu
filho de um deus
bêbado e louco
poeta marginal
que um dia foi achado morto
as tripas no chão
um livro na mão
no qual se lia
"Faça-se o homem a minha imagem"
quarta-feira, 7 de março de 2012
O nome da coisa
Sabe como é que é, eu estava, meio assim, sem vontade de fazer coisa nenhuma, então resolvi ficar de papo pro ar. Tipo assim, na moral. Aí, carinha me perguntou: Qualé? E eu respondi: Sei não. E ele tascou um: Só. E eu não deixei por menos: Nem. Aí, papo vem, papo vai, ele chegou com essa: Pô, mó onda, aí! Aí, eu desacreditei: Tá me tirando, truta? E ele, todo nervosinho: Se liga! Aí, eu matei a pau: O baguio é lento, mas o barato é loco! Aí, só deu pra ele dizer: Na moral. Então, eu fechei: Só.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Competências desenvolvidas pela redação
1. Apreender o tema posto em discussão. Fugir ao tema é o principal motivo para anular uma redação, por isso, quem quer fazer uma boa redação deve treinar a leitura. Leia tudo o que lhe cair nas mãos. Leia e tente entender textos com complexidade cada vez maior. Mantenha-se informado sobre os principais assuntos do Brasil e do mundo.
2. Posicionar-se criticamente sobre o tema. O que se busca aqui não é apenas a reprodução de um conhecimento adquirido ao longo da vida escolar, embora esse também seja importante, mas a capacidade de elaborar respostas convincentes sobre o que se discute.
3. Produzir um texto respeitando a norma culta da língua. Não há muito o que dizer sobre isso, a não ser que não se deve confundir a norma culta com escrita pedante.
2. Posicionar-se criticamente sobre o tema. O que se busca aqui não é apenas a reprodução de um conhecimento adquirido ao longo da vida escolar, embora esse também seja importante, mas a capacidade de elaborar respostas convincentes sobre o que se discute.
3. Produzir um texto respeitando a norma culta da língua. Não há muito o que dizer sobre isso, a não ser que não se deve confundir a norma culta com escrita pedante.
Assinar:
Comentários (Atom)