quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Arthur C. Clarke


Sir Arthur Charles Clarke, mais conhecido como Arthur C. Clarke (Minehead16 de dezembro de 1917 — Colombo19 de março de 2008) foi um escritor e inventor britânico, autor de obras de divulgação científica e de ficção científica como o conto The Sentinel, que deu origem ao filme 2001: Uma Odisséia no Espaço e o premiado Encontro com Rama.
Desde pequeno mostrou sua fascinação pela astronomia, a ponto de, utilizando um telescópio caseiro, desenhar um mapa da Lua. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu na Royal Air Force (Força Aérea Real britânica) como especialista em radares, envolvendo-se no desenvolvimento de um sistema de defesa por radar, sendo uma peça importante do êxito na batalha da Inglaterra. Depois, estudou Física e Matemática no King's College de Londres.
Talvez sua contribuição de maior importância seja o conceito de satélite geoestacionário como futura ferramenta para desenvolver as telecomunicações. Ele propôs essa idéia em um artigo científico intitulado "Can Rocket Stations Give Worldwide Radio Coverage?", publicado na revista Wireless World em Outubro de 1945. A órbita geoestacionária também é conhecida, desde então, como órbita Clarke.
Em 1956 mudou a sua residência para Colombo, no Sri Lanka (antigo Ceilão), em parte devido a seu interesse pela fotografia e exploração submarina, onde permaneceu até à sua morte em 2008.
Teve dois de seus romances levados ao cinema2001: Uma Odisséia no Espaço(br) / 2001: Odisseia no Espaço(pt) dirigido por Stanley Kubrick (1968) e 2010: O ano em que faremos contato(br) / 2010: O Ano do Contacto(pt) dirigido por Peter Hyams (1984), sendo o primeiro considerado um ícone importante da ficção científica mundial, aclamado por muitos como um dos melhores filmes já feitos em todos os tempos. Especialistas lhe atribuem forte influência sobre a maioria dos filmes do gênero que lhe sucederam.
Também em reconhecimento a Clarke, o asteróide 4923 foi batizado com seu nome, assim como uma espécie de dinossauro Ceratopsiano, o Serendipaceratops arthurclarkei, descoberto em InverlochAustrália.
Em 1998 Arthur Clarke foi descrito pelo tablóide inglês Sunday Mirror como um octogenário fortemente atraído por crianças. Na época, Clarke morava no Sri Lanka, país famoso pela complacência diante da exploração sexual de menores, e onde morou até morrer. A denúncia, publicada um dia antes da chegada do príncipe Charles ao país, que foi colônia britânica, jamais ficou provada. Ainda assim, Arthur Clarke, que seria condecorado com o título de cavaleiro do império, perdeu o direito à honraria e passou pelo constrangimento de ser informado de que o príncipe não compareceria a um encontro marcado com ele.[1] A acusação foi investigada e posteriormente desfeita. Durante as investigações a polícia de Colombo solicitou as fitas em que o Mirror baseou sua reportagem, mas elas jamais foram entregues ou exibidas. Segundo o Daily Telegraph [2] o Sunday Mirror publicou um pedido público de desculpas ao escritor em maio de 2000. O direito ao título de cavaleiro da ordem do Império Britânico foi devidamente restabelecido e concedido.
O compositor francês Jean Michel Jarre realizou em 2001, um concerto intitulado 2001: A Rendez-Vous In Space em homenagem a obra 2001: Uma Odisséia no Espaço. Clarke inclusive fez uma participação especial em algumas partes do show.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O pensamento crítico

Retomando o assunto da relevância da redação, vamos abordar o desenvolvimento do pensamento crítico como a função fundamental desse instrumento de aprendizagem. O principal objetivo do teste de redação é avaliar a capacidade do aluno de comentar a respeito dos temas sociais mais relevantes. Não exigimos, no entanto, que ele dê uma resposta definitiva a problemas complexos que são o tormento de especialistas. O que esperamos é que ele construa uma abordagem pessoal sobre o que é discutido, expandindo, assim, sua competência de pensar o mundo.
No entanto, podemos dividir essa competência em três níveis:
1. O julgamento primário é mais uma reação emocional que propriamente uma análise crítica de um fato, uma simples demostração de agrado ou desagrado sem grandes considerações, muitas vezes se expressa por interjeições.
Ex.: – O que você achou do filme?
      – Credo! Uma porcaria!
2. O julgamento estereotipado é uma opinião baseada apenas na experiência pessoal, ou na falta dela, e no senso comum, que é cheio de lugares-comuns, preconceitos e banalidades, vendo o assunto de um único ângulo, sem se preocupar com todas as possíveis implicações dele.
Ex.: – O que você achou do filme?
       – Foi divertido! Mas acho que é o que o povo está precisando hoje, né? De comédias, de rir um pouco. A vida está tão difícil.
3. O julgamento crítico é uma visão ampla e aprofundada de um dado problema, sem imediatismos, usando de diversas fontes de informação para formar uma opinião e manifestando-se por meio de uma linguagem elaborada.
Ex.: – O que você achou do filme?
       – Apesar de ser uma comédia, ou talvez por isso, ele nos faz pensar nos pequenos incidentes da vida que a tornam tão interessante...
Bem verdade que esse tipo de argumentação é mais aceitável em textos que numa conversa informal entre amigos, mas aqui deve ter servido como exemplo.
Esperamos ter sidos claros quanto a esse tópico. Nós nos veremos em breve.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Normas técnicas

Um detalhe de que me esqueci: um bom revisor também precisa conhecer a ABNT, a Associação Brasileira de Normas Técnicas, que elaborou normas para publicações técnicas, para citações, notas de rodapé, referências etc. Você pode adquirir um manual ou acessar o site http://www.abnt.org.br/ para obter certificados, fazer um curos ou saber mais informações a respeito de normatização.
Nem todas as editoras usam esses parâmetro desenvolvidos pela ABNT, mas é sempre bom conhecê-los.

Instrumentos para um revisor

Esta é apenas uma lista de instrumentos imprescidíveis para um revisor, que podem servir também para um escritor iniciante ou qualquer amante da língua portuguesa.
1. Um bom dicionário: o meu é o Houaiss, dicionário eletrônico da língua portuguesa 3.0, mas há outros, como Aurélio ou Michaellis.
2. Dicionário de verbos e regimes, como o de Francisco Fernandes, editora Globo.
3. Dicionário de regência nominal, também do mesmo autor e da mesma editora.
4. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), que você pode acessar gratuitamente no site:
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23.
5. Manual de redação do Estadão, também acessado gratuitamente: http://www.estadao.com.br/manualredacao/.
6. Acessar sites educacionais como: www.brasilescola.com, www.infoescola.com, www.mundoeducacao.com.br, www.mundovestibular.com.br, e tantos outros; sempre é bom você acessar mais de um, pois há certas divergências entre eles quanto a certos assuntos, mantenha-os entre seus favoritos. 
7. Acessar sites de conhecimentos gerais como o http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal, sempre são úteis para esclarecer algumas dúvidas que não dizem respeito ao idioma, mas não deixe de usar o bom-senso, pois aqui também há muitas divergências e informações desencontradas e falhas.
8. Um bom dicinário on line multilíngue é este: http://pt.thefreedictionary.com.
9. No mais, lápis, borracha, canetas de várias cores, marcadores de texto de várias cores, clipes, postit, corretor (branquinho), papel de rescunho e, claro, um computador com acesso à internet.
Se esqueci de algo, desculpe-me por isso.
Até a próxima.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A relevância da redação

Para clarear algumas dúvidas que possam existir a respeito da importância da escrita e da leitura no mundo acadêmico e no profissional, convém dizermos algumas palavras. Em primeiro lugar, vamos analisar três tipos básicos de competências relacionadas ao estudo de Português, as quais são evidentes quando observamos as questões cobradas nos concursos vestibulares e públicos.

Demonstração de aquisição de conhecimento


Exemplos disso são as questões de múltipla escolha, nas quais só é necessário que tenhamos guardado na memória o que foi passado em aula. Essa competência não exige muita criatividade, mas é inegável sua importância para guardar todo o conhecimento adquirido pela humanidade.

Interpretar dados e extrair conclusões neles implícitas


Exemplos são as questões dissertativas, que nos levam a extrairmos os significados implicados no texto em análise, percebermos correlações entre dados; organizarmos conhecimentos, discernindo os que se complementam dos que se opõem etc.

Construir uma forma pessoal de conhecimento


Essa é a competência exclusiva da redação, exige que tenhamos iniciativa para analisarmos uma situação-problema e, eventualmente, desenvolvamos uma resposta cabível e sustentável para ela. Esse tipo de questão requer posse de dados de conhecimento geral, em vários níveis, de reconhecermos relações entre eles e de concatená-los, com algum grau de criatividade intelectual, de pessoalidade, demonstrando ideias próprias a respeito do que é discutido.

Em resumo


Para escrevermos uma boa redação, é necessário:

1.      conhecimento da norma culta da língua;

2.      conhecimento dos mecanismos de construção do texto;

3.      conhecimento dos grandes temas da atualidade.



Da próxima vez, discutiremos os detalhes da construção textual em redações.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A arte de escrever

Em 1846, Allan Poe escrevreu A filosofia da composição, um texto explicando a técnica construtiva que ele empregou em O corvo, seu poema mais famoso. Segundo ele: "Nada é mais claro do que deverem todas as intrigas, dignas desse nome, ser elaboradas em relação ao epílogo, antes que se tente qualquer coisa com a pena". Só assim podemos desenvolver o enredo dando-lhe o aspecto de consequência ou causalidade, fazendo com que os incidentes e, inclusive, o tom da obra tendam para a conclusão que imaginamos.
Ele aponta para um erro comum na construção de uma ficção: o autor desenvolve uma tese extraída da própria história ou do cotidiano, criando uma cena impressionante, que se torna a base da narrativa. Essa base ele recheia com diálogos, descrições ou comentários, preenchendo todas as lacunas, página a página.
Para Poe, o ideal é ter em mente o efeito que se quer produzir no leitor e, a partir daí, ir-se elaborando os acontecimentos. Desse ponto em diante, ele discorre sobre a mística que existe a respeito do processo criativo, a qual é mantida pelos próprios escritores, vitimados pelo ego. Então, ele começa a desvendar, passo a passo, como ele escreveu sua obra-prima e, de forma clara e direta, ele dá uma lição de criação literária, desenvolvendo a teoria que ele expôs no começo.
Em suma, esse é um texto imprescindível para quem tem o intento de singrar esses mares tão bravios.
E o melhor é que facilmente encontrado na internet.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Noves fora, nada.

A cidade é só a cidade, o lugar onde eu moro. Viver não, que viver eu vivo aqui, dentro de mim. O escritório é só um escritório, como outro qualquer, o lugar onde eu trabalho, trabalho que paga minhas contas e que preenche as horas vazias do meu dia. O dia é só mais um dai, mais um dos 11880 dias da minha existência, vida não, que vida não é só isso. Vida é mais que perder tempo calculando quantos dias se passaram desde que eu fui arrancado da caverna escura e úmida de onde eu provim. A janela é só uma tela de vidro com imagens em movimento; movimento, mas nem tanto. O movimento é sempre o mesmo e as pessoas são sempre as mesmas Até o frenesi da cidade, por ser sempre o mesmo, é modorrento. Tudo parece tão igual, dentro e rora do escritório, que o mundo , às vezes, parece parar, ou , pelo menos, andar em marcha lenta. Tudo apenas passa, mas não é capturado por minha mente, Ouço o bate-bate dos carimbos, o risque-risque das canetas, o plaque-plaque, toque-toque dos passos, o zum-zum das falas. Tudo se misturando num borrão indistinto. Todo o tempo o tempo todo se misturando e escorrendo, como tinta fresca jogada contra a janela da minha mente. "tudo que é sólido se desmancha no ar'. Um pássaro levanta voo e passa rente à minha janela. Um pássaro voou ou foi o tempo? As ideias perambulam por minha cabeça, zanzando feito moscas tontas, ricocheteando no para-brisa dos meus olhos; vez por outra, fugindo pelos meus ouvidos. Passo a língua pelo céu da minha boca e estalo os lábios, O tédio tem gosto de café frio, amanhecido. Abro a boca num bocejo desmaiado, desmedido. O relógio tiquetaqueia, puxando mais um minuto da minha existência. Tamborilo os dedos na mesa, num batuque descompassado. Abro os braços, espreguiçando-me preguiçosamente. Essa é toda a agitação do meu dia. Estou aqui apenas para manter o ar em movimento.
Passatempo, o tempo passa... Os papéis se acumulam em minha mesa. Lê, carimba, assina. Esse aqui volta para o lugar de onde veio. Falta uma assinatura. Lê, carimba, assina. Cafezinho. Meu trabalho é muito importante... para uma outra pessoa. Qualquer outro que não eu. Colado ao balcão da copa, olho ao redor. Sobre a minha mesa, deve haver meio hectare de floresta desmatada transformado em papel. O que seria de todos nós se não fosse a burocracia? Sem a burocracia haveria menos papéis para carimbar; menos papéis, menos árvores sendo cortadas; menos árvores cortadas, mais ar para respirarmos. Logo, sem a burocracia,  haveria mais ar para respirarmos. Matemática simples.
Não me entendam mal. Eu não odeio a burocracia; afinal, é ela que põe pão na minha mesa. Eu odeio os burocratas, porque - noves fora,
nada - são eles que acabam com o ar que eu respiro.
Se não acabam, pelo menos, tornam-no mais poluído.

Provisoriamente, cantaremos o nada.

O meu assunto predileto.
Esse que se intromete em todas as conversas,
em toda falta de assunto.
O que se imiscui nos interstícios das mentes desocupadas. 
O que preenche as folhas em branco, 
as vidas em branco.
O nada está em tudo.
Ele está em cada greta entre as células, 
em cada brecha entre os átomos, 
em cada fenda entre o tique e o taque do redógio.
Entre a matéria e a antimatéria,
lá está ele. 
Ele também, entre a pergunta e a resposta, 
entre o ser e o não ser.
Nada é vago.
Nada é à toa. 
Nada é simples.
Nada é eterno.

Eita palavrinha difíci!

Pequenas palavras, rápido, corram pro papel.
Vão logo!
Saiam daí, 
que eu tenho que escrever.
Ô, diabo de obrigação a que me impus, 
de escrever tantas linhas assim!
E não me vem nada. 
Nada sai da cachola.
espremo o coco e não sai nada,
só água insossa e inodora.
Uma sacada inteligente.
Uma tirada sagaz.
Rima rica ou frase feita.
Nada que me apraz.
Só ficam umas letrinhas, aí, sem sentido, murchinhas, 
esparramadas pela folha, 
como cocozim de mosca.
Ora, bolas, Gato de botas!
Da próxima, escolho natação.
Essas palavras bandidas me deixaram de calças na mão.
Põe uma vírgula aí, bota um acento ali.
Que que é isso que eu escrevi?!
Vá, tome tento! 
Escrevê não é coisa pra intelijumento.