sábado, 18 de fevereiro de 2012

A arte de escrever

Em 1846, Allan Poe escrevreu A filosofia da composição, um texto explicando a técnica construtiva que ele empregou em O corvo, seu poema mais famoso. Segundo ele: "Nada é mais claro do que deverem todas as intrigas, dignas desse nome, ser elaboradas em relação ao epílogo, antes que se tente qualquer coisa com a pena". Só assim podemos desenvolver o enredo dando-lhe o aspecto de consequência ou causalidade, fazendo com que os incidentes e, inclusive, o tom da obra tendam para a conclusão que imaginamos.
Ele aponta para um erro comum na construção de uma ficção: o autor desenvolve uma tese extraída da própria história ou do cotidiano, criando uma cena impressionante, que se torna a base da narrativa. Essa base ele recheia com diálogos, descrições ou comentários, preenchendo todas as lacunas, página a página.
Para Poe, o ideal é ter em mente o efeito que se quer produzir no leitor e, a partir daí, ir-se elaborando os acontecimentos. Desse ponto em diante, ele discorre sobre a mística que existe a respeito do processo criativo, a qual é mantida pelos próprios escritores, vitimados pelo ego. Então, ele começa a desvendar, passo a passo, como ele escreveu sua obra-prima e, de forma clara e direta, ele dá uma lição de criação literária, desenvolvendo a teoria que ele expôs no começo.
Em suma, esse é um texto imprescindível para quem tem o intento de singrar esses mares tão bravios.
E o melhor é que facilmente encontrado na internet.

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