quinta-feira, 22 de março de 2012

Ecos do abismo

ontem eu estava sozinho em meu quarto
(mais uma vez)
sentado calado olhando pro nada
a solidão escorria pelas paredes frias
e gotejava surdamente
tédio tédio tédio
meu coração mal pulsava
dentro da segunda gaveta da escrivaninha
uns livros velhos uns pensamentos velhos
velhos sentimentos remoídos
meu corpo tem trinta anos
a alma trezentos três mil
tanto assim que trago meu dinossauro preso a uma corrente
e meus mortos em cima do guarda-roupa
de tanto não fazer nada
meu corpo apodreceu
só restou minha cabeça
pairando sobre o abismo
repetindo minha sabedoria de folhetim

Nenhum comentário:

Postar um comentário